A estrutura ‘democracia versus autocracia’ de Biden faz sentido?

Mesmo que as audiências de 6 de janeiro mostrem uma democracia estadunidense sobrecarregada em grave risco de desmoronar, o presidente Biden fez da noção de “democracias versus autocracias” o princípio organizador de sua política externa. Infelizmente, Biden está descobrindo da maneira mais difícil que o mundo não é tão viciado.

Mais recentemente, o México e várias outras democracias latino-americanas boicotaram a Cúpula das Américas da semana passada depois que Biden se recusou a invitar as não-democracias Cuba, Nicarágua e Venezuela. Estamos muito longe da visão original dos presidentes Reagan e Clinton de integrar economicamente o livre negócio “do Alasca à Terreno do Lume”.

De vestuário, os EUA não tinham a liberalização mercantil na agenda em o momento em que o negócio anual da China com a América Latina subiu para US$ 400 bilhões em 2021, superando o dos EUA (US$ 295 bilhões), e porquê a China investiu US$ 150 bilhões em infraestrutura projetos na região desde 2005 porquê segmento de sua Iniciativa do Cinturão e Rota. Os EUA investem modestamente na região, mas estão irados com a influência da China. Você não pode vencer alguma coisa com zero.

O incidente da Cúpula das Américas foi unicamente o exemplo mais recente de uma vácuo de percepção, uma falta de empatia estratégica. Onde Biden vê virtude moral, os latino-americanos, com uma longa e torturada história de domínio e mediação militar dos EUA, viram principalmente o tirocínio da política de poder. E não ajudou a sinalização de virtude de Biden que, ao desconvidar países latino-americanos não democráticos, ele planeja ir à Arábia Saudita para fazer as pazes com o líder dominador de Riad, Mohammed bin Salman.

Essa vácuo de percepções – e de interesses – em que o paradigma democracia versus autocracia não se encaixa é vista de forma mais clara na resposta global à invasão bárbara da Ucrânia pelo presidente russo Vladimir Putin. A notável unidade dos parceiros dos EUA e da Europa (juntamente com a Coreia do Sul e o Japão) para sanções sem precedentes à Rússia levou muitos a vê-lo porquê o consenso global. Mas a maior segmento do mundo vê de outra forma.

Uma longa lista de nações democráticas, principalmente a Índia, mas também México, Brasil, África do Sul, Turquia e Israel, permaneceram neutras em graus variados e não impuseram sanções à Rússia. Da mesma forma, a Arábia Saudita e os estados do Golfo fingiram neutralidade. Muitas nações na África e em todo o Sul Global veem isso porquê uma guerra europeia cujas consequências dolorosas atingiram seus interesses, na forma de inflação, aumentos e escassez de preços de robustez e víveres, além de exacerbar uma crise de dívida de o país em desenvolvimento.

Biden está manifesto de que os EUA precisam provar que a democracia pode oferecer. A influência e o apelo dos EUA atingem seu culminância quando lideram pelo exemplo. Mas o mundo não é binário, porquê afirma Biden. Os problemas raramente é preto ou branco, mas principalmente tons de cinza. É o mundo em que os EUA continuam a ser uma potência militar e financeira preeminente, mas em que o poder está sendo redistribuído do oeste para o leste, do setentrião para o sul.

A Ucrânia traz à tona o mundo em que as nações calculam seus interesses com base em economia, geografia, história, cultura e política, não unicamente valores. Porquê reflete o contato de Biden com os sauditas, a política real dos EUA tende a ser pragmática.

No entanto, a Lar Branca muitas vezes se prende retoricamente em sua ideologia e depois passa por contorções intelectuais para racionalizar políticas que muitas vezes vão em outras direções. Outras nações costumam ver tanto a hipocrisia quanto os EUA exercendo seu poder mais do que seus valores.

Uma razão para isso pode refletir a dificuldade dos EUA em se ajustar a o mundo multipolar onde o poder tende a ser situacional e os EUA é mais os primeiros entre iguais do que o hegemon uno. A predominância militar dos EUA e o reinado do dólar muitas vezes não se traduzem em perceber os resultados desejados – a definição de poder.

Compreender os limites do poder dos EUA é o prelúdios da sabedoria. A disseminação da riqueza e do poder pelo mundo foi em grande medida o resultado do sistema financeiro e mercantil fundamentado em regras e relativamente cândido que os EUA criaram depois a Segunda Guerra Mundial.

Agora estamos lidando com os dilemas do sucesso. Na prática, a primazia dos EUA vem se dissipando gradualmente à medida que o poder econômico e militar mudou e à medida que a vácuo entre as capacidades militares dos EUA e da China diminuiu.

A história da política externa dos EUA no século 21 está repleta de ilustrações dos limites do poder americano: o desabrigo do “redline” do presidente Obama na Síria; o impasse e perda no Afeganistão; campanhas de “pressão máxima” contra a Coreia do Setentrião, Irã e Venezuela rendendo unicamente resistência máxima e confronto prolongado. O exemplo mais recente é o esforço de Biden para pressionar os sauditas e a Opep a aumentar a produção para dimunuir os preços do petróleo.

Não existe uma projéctil de prata, nenhuma fórmula mágica que ajude os EUA a atingir todos os seus objetivos de política externa. É o mundo multipolar multíplice. Existem muitos “problemas do inferno”, porquê a aposta nuclear da Coréia do Setentrião, o problema nuclear do Irã e as mudanças climáticas.

A questão é porquê os EUA podem se posicionar melhor para alavancar seus pontos fortes. Isso significará cada vez mais o “primus inter parus (primeiro entre iguais) abordagem para a solução de problemas globais. Isso significa reunir poder e mais compartilhamento de responsabilidades com outros atores globais, e o proporção de empatia estratégica – entender (não simpatizar) porquê a outra região vê seus interesses e tentar encontrar o estabilidade de interesses que os EUA possam admitir.

Tal abordagem será menos satisfatória do que uma Pax Americana e difícil de perceber. Exigirá acomodações, encontrar o estabilidade entre os interesses e valores dos EUA. Mas, porquê Ronald Reagan disse repetidamente a seu superintendente de gabinete, James Baker, sobre sua abordagem à política: “Prefiro obter 80% do que quero do que desabar no precipício com minhas bandeiras hasteadas”. A diplomacia é também a arte do verosímil. Por mais que Putin mereça ir embora, a Ucrânia e os EUA podem ter que negociar com ele se ele não for derrotado no campo de guerra.

A melhor maneira de promover a democracia e a legitimidade da liderança dos EUA seria Biden satisfazer sua promessa de campanha praticamente abandonada de remediar as profundas divisões do país. Uma América dinâmica, próspera e reconciliadora é a melhor arma contra a autocracia. Porquê o provérbio bíblico (Lucas 4:23) aconselha: “Médico, cura-te a ti mesmo.”

Robert A. Manning é membro sênior do Scowcroft Center for Strategy and Security e sua New American Engagement Initiative no Atlantic Council. Ele foi mentor sênior do subsecretário de estado para assuntos globais de 2001 a 2004, membro da equipe de planejamento de políticas do Departamento de Estado dos EUA de 2004 a 2008 e do grupo de futuros estratégicos do Juízo Pátrio de Perceptibilidade de 2008 a 2012. Siga-o em Twitter @Rmanning4.

- Publicidade -
- Publicidade -Ucorvo